31 de maio de 2013

XVII- Tears in Heaven



O texto é uma dedicatória em si. À única irmã que tive, mesmo sem ter. Ao maior amor da minha vida. A uma não simples “melhor amiga”, mas além disso, “melhor irmã”. À minha Soul Sister, Fernanda de Moraes Gianginni Vasconcellos.


Escrevo em meio à dor. É triste saber que não sou mais completa, que me perdi. Me perdi em múltiplos sentidos. Sofri a perda da minha alma e fiquei perdida por conta disso. Não sei mais o que devo ou não fazer, não sei mais o que é não sentir dor. Tudo dói, inclusive digitar essas palavras. Já digitei muitas folhas que somente expressam dor, mas parece que é um trabalho interminável. Parece que quanto mais escrevo mais me alivio e ao mesmo tempo mais dói.  É uma contradição. Eu nunca vou conseguir me expressar o suficiente, mas eu queria conseguir. Por você. Mas eu também queria entender, sabe?  Descobrir os porquês. Isso não será possível, não é possível para ninguém. Eu acho que dói tanto porque eu sei que não encontrarei outra parte de mim. Eu sei que nunca mais serei parte de nada, não desse jeito que eu era. Eu não tenho mais âncora e nem alguém que se preocupe comigo de maneira a basear sua rotina na minha. E isso me assusta. Eu tenho medo por saber que mesmo que todos se preocupem e ofereçam ajuda, a dor será só minha, por todo tempo. E a única pessoa que dividiria essa dor comigo é o motivo de eu senti-la. Eu sofro porque não terei mais você para terminar sua ligação diária com um ‘Ei, esqueci de uma coisa!’  ‘Fale, dear?!’  ‘Já te disse que te amo?’, e nem por me fazer rir com histórias malucas. Eu me condeno por não poder mais te abraçar e nem te ouvir e nem cantar músicas idiotas ou assistir a filmes repetidos. O que tinha significado para nós, não tem para mais ninguém. Eu não espero que o vazio que só progride em seu tamanho, diminua. Eu não espero por melhoras. Eu tento imaginar coisas alegres e momentos felizes, mas sei que no fundo eles não serão por inteiro, porque eu não sou por inteiro. Muitos se condenam por perder mais um amor temporário, eu me condeno por perder o amor da minha vida, desde sempre e para sempre. O amor que uma irmã além do sangue sente pela outra, e tem certeza da reciprocidade. Um amor tão puro que ficou enraizado, que causa dor por continuar existindo, e não ter a responsável pelo sentimento mais aqui. Mas eu vou continuar te amando, como disse, sempre e sempre. E a gente vai estar junta. Enquanto escrevia isso, lembrei de uma música da nossa banda favorita. “Tudo é dor/ E toda dor vem do desejo /De não sentirmos dor.”

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