23 de junho de 2013

Sinceridade

Bem, cansei de meio termos. Enjoei de ficar deixando as coisas entrelinhas (ou só devo ter 'dado um tempo'). Pois então, não tenho paciência. Nunca tive. E espero continuar não tendo. Sabe, ando bastante irritada com certas pessoas, certos colegas, certos amigos. Que esperam euzinha me comunicar. RÁ. Sou orgulhosa o suficiente para dizer que isso não irá ocorrer, dear. E não vai mesmo. Eu acho que deve ser normal, afinal cada um tem seu mundo e vive de acordo com o que tem como mais importante. E eu acho que estou assim porque já soube o que é ser importante, e hoje não sei mais. Já tive alguém que me colocasse no ápice das suas preocupações, ou da sua necessidade de comunicação, mas já não tenho mais. E isso é uma grande merda. Eu estive lendo o livro "As vantagens de ser invisível" essa semana, e percebi que eu já fui invisível, como Charlie era. Até que um dia eu apareci. E ofusquei de novo. Eu já me senti infinita, mas não consigo me sentir mais assim. Eu deveria parar de escrever com  tanto 'eu', mas não quero. Esse texto é meu e eu não espero agradar ninguém. E sabe o que me irrita também, demais? O fato das relações continuarem a se estabelecer, tão firmemente. E então eu finalmente aprendi a não esperar. Eu não devo esperar nada de ninguém, porque já tive quem me fizesse aparecer, e essa pessoa já se foi. Às vezes sinto saudades de não ser invisível, mas continuo a ser, é mais fácil. Do que procurar ou encontrar alguém que me faça aparecer. E não falo de romances, mas de amizades. E tudo deveria estar bem. Talvez você acredite que eu estou bem, porque é o que demonstro. Mas não estou. Estou péssima. Estou em ruínas. Estou menos eu do que em qualquer outro dia. E é duro olhar o vazio. Encarar o vazio. Mas permaneço assim, pois é como devo permanecer. Permanecer invisível para aqueles que te olham, mas não te enxergam. E continuar a viver essa porra de vida.

15 de junho de 2013

XVIII - Creep, weirdo.



É sim tudo injusto e medíocre. Eu sou o exemplo perfeito da mediocridade. Porque eu tento encontrar em coisas o que não encontro em mim, e conheço muita gente que faz o mesmo. Eu não sou paz, então busco a paz em coisas ou pessoas. Ninguém faz merda porque não precisa. Eu acho que não, pelo menos.  No meu caso, é um vazio tão grande e tão grande que parece um buraco negro em um poço sem fundo. Com palavras soltas vagando. Solidão? Talvez. Mas acho que é mais profundo, e mais intenso. Acho que como diz uma amiga minha, eu não sei lidar. E nunca soube. Desviei de obstáculos ao invés de ultrapassá-los. Mas de qualquer jeito eles chegam até mim e se fazem presentes. Malditos! Eu continuo correndo e fugindo, mas parece que quando um surge, milhares surgem. E eu ainda não sei lidar. E vou continuar não sabendo. E é por isso que faço o que melhor me agrada no momento. Não, não é isso. Faço algo que me faça ou esquecer ou neutralizar os obstáculos. E é tão bom. É tão puro. Mas continua doendo. Dói, dói, dói e dói. E eu tento sanar essa dor, mas é como tentar comprimir um corte profundo na jugular com o dedo mindinho. Não adianta de nada. E isso também dói. Na verdade, não sei de onde vem tanta dor. Queria que fosse física, mas é do pior tipo, é uma dor na alma. E dores na alma custam para serem sanadas, diz pesquisa (auto-pesquisa).

31 de maio de 2013

XVII- Tears in Heaven



O texto é uma dedicatória em si. À única irmã que tive, mesmo sem ter. Ao maior amor da minha vida. A uma não simples “melhor amiga”, mas além disso, “melhor irmã”. À minha Soul Sister, Fernanda de Moraes Gianginni Vasconcellos.


Escrevo em meio à dor. É triste saber que não sou mais completa, que me perdi. Me perdi em múltiplos sentidos. Sofri a perda da minha alma e fiquei perdida por conta disso. Não sei mais o que devo ou não fazer, não sei mais o que é não sentir dor. Tudo dói, inclusive digitar essas palavras. Já digitei muitas folhas que somente expressam dor, mas parece que é um trabalho interminável. Parece que quanto mais escrevo mais me alivio e ao mesmo tempo mais dói.  É uma contradição. Eu nunca vou conseguir me expressar o suficiente, mas eu queria conseguir. Por você. Mas eu também queria entender, sabe?  Descobrir os porquês. Isso não será possível, não é possível para ninguém. Eu acho que dói tanto porque eu sei que não encontrarei outra parte de mim. Eu sei que nunca mais serei parte de nada, não desse jeito que eu era. Eu não tenho mais âncora e nem alguém que se preocupe comigo de maneira a basear sua rotina na minha. E isso me assusta. Eu tenho medo por saber que mesmo que todos se preocupem e ofereçam ajuda, a dor será só minha, por todo tempo. E a única pessoa que dividiria essa dor comigo é o motivo de eu senti-la. Eu sofro porque não terei mais você para terminar sua ligação diária com um ‘Ei, esqueci de uma coisa!’  ‘Fale, dear?!’  ‘Já te disse que te amo?’, e nem por me fazer rir com histórias malucas. Eu me condeno por não poder mais te abraçar e nem te ouvir e nem cantar músicas idiotas ou assistir a filmes repetidos. O que tinha significado para nós, não tem para mais ninguém. Eu não espero que o vazio que só progride em seu tamanho, diminua. Eu não espero por melhoras. Eu tento imaginar coisas alegres e momentos felizes, mas sei que no fundo eles não serão por inteiro, porque eu não sou por inteiro. Muitos se condenam por perder mais um amor temporário, eu me condeno por perder o amor da minha vida, desde sempre e para sempre. O amor que uma irmã além do sangue sente pela outra, e tem certeza da reciprocidade. Um amor tão puro que ficou enraizado, que causa dor por continuar existindo, e não ter a responsável pelo sentimento mais aqui. Mas eu vou continuar te amando, como disse, sempre e sempre. E a gente vai estar junta. Enquanto escrevia isso, lembrei de uma música da nossa banda favorita. “Tudo é dor/ E toda dor vem do desejo /De não sentirmos dor.”

25 de maio de 2013

XVI - Lost in a wrong way




Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço. - Immanuel Kant


Após tanto tempo tentando se recordar do que realmente estava fazendo ali, chegou à conclusão de que não tinha nem sentido nem direção.  Era um projétil lançado no vácuo. Sentia pena de si e tentava ofuscar isso em atitudes que o fizessem se sentir capaz, apesar dele saber que não era. Coitado, um pobre coitado. Não tinha endereço psicológico fixo, sempre mudava, mas não saía do mesmo. Entendes? Não? Nem eu. Nem ele. Ah, bem, esqueci-me de continuar a apresentá-lo. Além de inconstante e perdido era rejeitado. Mas não me digas que ele era bem aceito, por favor, pois ele não era. Devo concordar que sempre foi um dos que recebiam os melhores tratamentos, já que tratava a qualquer um da melhor maneira possível, mas não era visto como achava que deveria ser. Nada muito espalhafatoso e gritante, mas algo mais simples, talvez um pouco mais além de um “Oi, tudo bem?”.  Mas não, não se culpe, ele nunca manifestou necessidade disso, não é? Sei que não, era muito sem defeitos para demonstrar tamanha carência interior. Carente, isso sim ele era, entretanto supria isso da melhor forma que sabia, ajudando aos outros. Era só falar, lá estava ele. Era sonhador, queria melhorar o mundo por si só e agarrava a essa ideia de todas as maneiras. Pobre coitado, fazia tanto e ao mesmo tempo não fazia nada. Tanto para tantos e nada para ele. Mas estava decidido a por fim a isso tudo e resolveu deixar seus horários e seguir sem direção, dessa vez fisicamente. Andou quilômetros e mais quilômetros até se dar conta que não era assim, não era o que ele queria. Para ser sincero, ele queria poder rasgar a si próprio até ficar em pedacinhos, porque queria que os outros o vissem como era, e ele era assim. Contudo não conseguiria fazer isso, e estava triste, ou era triste, não sei ao certo.  Pois bem, fez uma revista em seu passado e em suas atitudes passadas e tudo se demonstrava na mais perfeita ordem. Por que sempre tão correto? Não sabia nem ao menos o motivo de tantas ações socialmente elogiáveis. Mas ele realmente gostava daquilo, gostava de se sentir útil aos outros, até porque não era útil para si próprio. Refletiu mais um pouco e viu que alguma coisa nele fazia sentido. Ele gostava de ser ele, pelo menos um pouco. Que fosse um perdido para os alheios, mas que estivesse pleno de si, era esse o ponto no qual iria se assegurar. Firmou-se nisso e voltou, agora decidido a se auto-afirmar. E fez isso. Descobriu-se a cada dia um pouco e passou a se olhar de maneira diferente. Dizia que, depois de tanto refletir sobre sua vida, não queria ter que por fim à ela e resolveu solucionar seus problemas da maneira mais simples que sabia. Por um tempo bem que ele conseguiu, mas, mais do que conseguir, ele pode conviver com si mesmo sem se achar um estranho desesperado por salvação. Contudo, mesmo assim, ele sabe que no fundo o estranho continua lá, com uma grande quantidade de espaço reduzida, mas à espera de algum imprevisto para entrar em ação e ser revogado, pois disso ele era feito, e isso era o que ele não queria aceitar.